
O jornalista Paulo de Sá é o único preso na “Operação Engalobados”, na manhã desta quarta-feira, visando combater fraudes na contratação de empresas para o fornecimento de testes de COVID-19 e locação de equipamentos laboratoriais, por meio de dispensa de licitação feita pela Secretaria de Saúde de Cruzeiro do Sul. O jornalista representa o site Juruá em Tempo, em entrevistas que faz cotidianamente. E já foi preso, em fevereiro de 2020, na “Operação Presságio, da Polícia Civil, quando era secretário de Comunicação Social na gestão do prefeito cassado Ilderley Cordeiro. A investigação apontou que foram firmados cinco termos com diversas secretarias da prefeitura no valor de mais de R$ 52 milhões. Até o fim do exercício de 2019, uma ONG beneficiada por dispensa de licitação para coleta de lixo na cidade já tinha recebido cerca de R$ 27 milhões.
Na época, a irmã do prefeito, Idelcleide Cordeiro, então chefe de gabinete da prefeitura, também foi presa. O grupo ainda responde por suposta participação em crime de corrupção passiva, ativa, quadrilha, peculato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Novos crimes
Nesta segunda, Paulo de Sá foi acordado com a PF à sua porta. Uma fonte do acjornal na PF não soube informar detalhes do envolvimento de Sá no esquema que teria desviado R$ 1.8 milhão dos cofres públicos, em contratos firmados na gestão Ilderley Cordeiro com vigência até os dias atuais. A reportagem apurou que o jornalista teria intermediado transações comerciais suspeitas junto a laboratórios que prestam serviços ao município. Paulo foi levado à penitenciária local.
O secretário Chico Melo (Comunicação Social) disse que vai se manifestar ao longo do dia, mas precisa de mais detalhes da operação. Sobre o jornalista, o secretário afirmou não conhecer qualquer relação dele com a administração pública.
Nota técnica emitida pela Polícia Federal cita dispensas irregulares de licitação, sob o argumento do enfrentamento emergencial da pandemia. Leia:
A investigação iniciou-se em março de 2021, com base no indicio de que no processo de cotação para composição do preço médio de mercado das dispensas de licitação teria sido manipulado, a fim de direcionar as contratações com sobrepreço para determinadas empresas. Como exemplo, tem-se que a empresa contratada para locação de equipamentos laboratoriais possui por atividade econômica principal a prestação de serviços de publicidade e sequer possuía os equipamentos à época da contratação. Ademais, a investigação aponta que os serviços não estariam sendo prestados da forma como contratados, mas em menor quantidade, embora as empresas estivessem recebendo integralmente pelo valor acordado.
A Operação Engalobados foi assim nomeada, tendo em vista que “engalobar” é uma expressão do estado do Acre que significa mentira, “passar a perna” e trapacear, o que remete a ações das empresas e de alguns agentes públicos da Secretária de Saúde de Cruzeiro do Sul/AC, ao utilizarem de meios para direcionar e superfaturar as dispensas de licitações.
Por fim, a Polícia Federal continuará a apuração das infrações penais, sendo que, até o momento, foram capitulados os crimes de peculato e crime contra à licitação.
Em razão da pandemia causada pela COVID-19, todas as cautelas foram observadas e consideradas em prol da segurança de todos os envolvidos.
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