Saiba quem são os alvos de operação da PF contra cúpula do governo do Acre

Operação investiga supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro e um dos alvos é o próprio governador Gladson Cameli. STJ determinou afastamento das funções do chefe de gabinete, do secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia e de mais dois funcionários.

Saiba quem são os alvos de operação da PF contra cúpula do governo do Acre

Desde as primeiras horas desta quinta-feira (16), a Polícia Federal cumpre 41 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão na Operação Ptolomeu, que investiga supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Além do governador, saiba quem são os alvos da ação policial.

O apartamento do governador do estado, Gladson Cameli (PP) foi um dos locais onde as buscas são realizadas. Além disso, os policiais estiveram no escritório do governador; Palácio Rio Branco e Casa Civil. Em nota, o governo do estado disse que está contribuindo com as investigações (leia íntegra da nota no final da reportagem) e, nas redes sociais, o governador informou que continua cumprindo agenda e suas obrigações institucionais na condução do governo do Acre.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a operação, determinou o afastamento das funções públicas dos seguintes ocupantes dos cargos:

Secretário de Estado da Indústria, Ciência e Tecnologia: Anderson Abreu de Lima, que também é primo do governador;

• A chefe de gabinete do governador, Rosangela Gama;

O assessor do escritório do governo do Acre em Brasília, Sebastião da Rocha ; e

O chefe de segurança do governado, Amarildo Camargo, que após uma minirreforma no governo feita por Cameli em julho deste ano, passou a ter status de secretário da Casa Militar, antigo gabinete militar.

O governador do Acre, Gladson Cameli, segue agenda normal nesta quinta-feira (16), em meio a operação. Logo pela manhã ele saiu de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, para cumprir compromissos na cidade de Tarauacá.

Polícia Federal cumpriu mandado de busca no Palácio Rio Branco/Reprodução PF

‘Quem não deve, não teme’

Durante a agenda em Tarauacá, o governador afirmou que foi o primeiro a dar iniciativa à fiscalização ao criar a Delegacia de Combate a Crimes de Corrupção e que não tem medo.

“Eu não tenho medo de cara feia e para mim o que me fortalece é minha consciência e que não adianta, eu não vou arredar um milímetro das minhas obrigações institucionais e muito menos impedir que os órgãos não executem o que tem que ser executado que é fiscalizar e deixar as coisas às claras. Senhores vereadores, senhores secretários, membros dos poderes executivos, legislativo, prefeita, quero deixar sempre muito bem claro, o primeiro a dar iniciativa foi esse bichinho aqui, quando eu coloco na minha responsabilidade a criação da delegacia de corrupção”, disse.

Cameli falou que não sabe, até agora, qual o motivo do cumprimento dos mandados nesta manhã. Ele citou ainda alguns dos nomes dos servidores afastados pela Justiça e comentou sobre a confiança que tem na equipe.

“Até agora eu não sei qual é o motivo, não conheço o motivo da tal visita hoje pela manhã. Por mim, eu não tinha tido essa visita não, mas tranquilo, pode vir outras, que está aberto. Quem não deve, não teme. Não devo, não temo e quero que fique até o final, se tiver coisa errada vai para a rua e tem que prestar contas à sociedade, porque é dinheiro público. Eu não preciso fazer coisa errada porque Deus já me deu tudo nessa vida e a maior vitória minha não é cutucar aquilo que é dos outros, mas é enfrentar olho no olho os problemas que precisam ser enfrentados e não me curvar.”

O governador disse que esse tipo de situação dá ainda mais força para ele e lembrou que está em véspera de eleição, dando a entender que as denúncias podem estar ligadas a conflitos políticos. Em tom de brincadeira, Cameli falou que podem continuar batendo nele.

“Pode bater nesse bichinho aqui, quanto mais bate é que nem massa de bolo, fica mais fofo, mais gostoso. Disse pra minha mulher: ‘não abaixe sua cabeça, você casou com um homem que não precisa baixar a cabeça porque meu pai me ensinou que um mais um é dois’. Na casa dos meus pais tem contrato porque o bicho tem dinheiro mesmo, mas foi à custa do suor derramado. Meu tio passou 20 anos para mostrar história, 20 anos. Tenho uma agenda intensa hoje e vou até o final, até concluir, até 31 de dezembro com tudo que eu precisava dizer. Se querem o poder a todo custo, podem ficar que não quero poder, mas converse com o povo, porque quem manda são vocês. Vocês têm que dizer o que querem.”

PF faz buscas na Secretaria de Estado da Indústria, Ciência e Tecnologia/Nucom/PF-AC

Investigação

Segundo a investigação da PF do Acre, o grupo, formado por empresários e por agentes públicos ligados à gestão estadual, aparelhou a estrutura do governo para cometer crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, desviando recursos públicos e ocultando a destinação dos valores.

A PF não especificou quais são as suspeitas que recaem sobre o governador, nem especificou quais são os crimes imputados a cada um dos investigados.

A CGU apurou que as empresas envolvidas têm diversos contratos com o governo acreano. Parte deles envolve convênios federais e repasses relacionados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). Não foram especificados quais contratos são considerados suspeitos.

Durante a investigação, foram identificadas diversas transações financeiras suspeitas em contas correntes, pagamentos de boletos de cartão de crédito, transações de imóveis de alto valor e aquisições de veículos de luxo por valores mais baixos do que os de mercado. Também foi verificado que o grupo frequentemente movimentava grande quantidade de dinheiro em espécie, inclusive com uso do aparato de segurança pública do estado.

Segue agenda

O governador disse que não cancelaria as agendas oficiais e disse ainda que as denúncias feitas à PF são infundadas.

“Não quero poder pelo poder, quero poder estar aqui olhando frente a frente. E aí vou cancelar minha agenda? Vou nada. Eu vou enfrentar.”

Dinheiro em espécie foi apreendido na operação/Divulgação PF

Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o bloqueio de cerca de R$ 7 milhões nas contas dos investigados, além do sequestro de carros de luxo comprados com os recursos desviados do governo. Também foi determinado pelo STJ que os investigados sejam proibidos de acessar órgãos públicos e de fazer contato entre si.

G1 Acre

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